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Ile de Ré: o paraíso francês no Atlântico

28 de agosto de 2014

A primeira vez em que ouvi falar da Ile de Ré, a dica veio de alguém que adoro e é de certa forma responsável pelo meu amor e admiração pela França. Alguém para quem este país também é um lugar muito especial, cheio de encantos. Além disso, ilhas sempre despertam minha curiosidade: muito ou pouco distantes do continente, elas guardam suas particularidades, seja no modo de viver da sua gente, na gastronomia, no clima. E foi assim que, por dois verões seguidos, decidi passar férias neste lugar incrível. E aqui te conto porque a Ile de Ré me conquistou, me fez voltar e pode me aguardar por muitas vezes ainda!

Ile-de-Re

Onde fica

Pertinho de La Rochelle – esta é a cidade que a liga ao continente desde 1988, a Ile de Ré fica no Departamento de Charante-Maritime, na região de Poitou-Charante. Com aproximadamente 85 Km 2 de área e 26 Km de comprimento, é a quarta maior ilha da França, ficando atrás apenas da Córsega, Ile d’Oléron e Belle-Ile. Com 50 Km de praia, muitas delas longas e de areia fina e clara, e bastante ensolarada, é um dos destinos ideais para prática de esportes marítimos, contato com a natureza e, lógico, para aproveitar o verão. Praticamente toda plana, é ideal também para quem curte andar de bike. Ciclovias em ótimo estado ligam as 10 cidades da ilha.

Como chegar

De Paris, é bem prático pegar o TGV até La Rochelle; a viagem dura 3h15. Diversos ônibus saem regularmente da estação de trem de La Rochelle com destino à Ile de Ré. Uma ponte de apenas 3 Km liga a ilha à La Rochelle. As paradas dos ônibus variam conforme os horários de saída e as estações do ano. Por isso, o melhor é consultar o site da Les Mouettes Transports e se informar sobre horários e paradas das linhas 3A, 3B e Ile de Ré Express válidos durante a sua viagem e estadia.

A Ilha nas telas do cinema francês

Recentemente a ilha foi cenário do filme “Alceste à bicyclette”, de Philippe le Guay (No Brasil: Pedalando com Moliere – Imagens Filme), no qual a poesia e a magia da ilha podem ser sentidas na pele.

O que ver, fazer, comer e apreciar na ilha

Em algumas dicas e muitas fotos, vou te fazer querer conhecer esse paraíso!

Andar de bike, com ou sem destino, pra todo e qualquer canto

Com mais de 100 Km de ciclovias (consulte o mapa aqui), não há limites para conhecer todas as praias, cidades, ruelas, mercados, criações de ostras e salinas. Com disposição e uma magrela nas mãos, o ritmo das suas férias é você quem faz. Há lojas para locação de bikes espalhadas por toda a ilha. Consulte a La Route à Vélo (lojas em La Flotte e Sainte-Mairie)  e a Yootoo (lojas em Saint-Martin, La Flotte e Le Bois Plage). Se quiser levar a sua bike, lembre-se que no TGV que faz o trecho Paris/Ile de Ré é preciso reservar lugar para sua bike, mediante pagamento de uma taxa.

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Se perder nas ruelas das cidades, entre as casinhas e flores

São 10 cidades para visitar: Rivedoux Plage, Sainte-Marie de Ré, La Flotte, Saint-Martin de Ré, Le Bois Plage en Ré, Loix, La Couarde sur Mer, Ars en Ré, Les Portes en Ré e Saint-Cément des Baleines. Cada uma garda seus encantos.

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Degustar ostras frescas à beira-mar

Por toda a ilha, mas especialmente na região norte (Ars, Saint Clément e Les Portes) e na costa entre La Flotte e Saint-Martin, há criações de ostras. A produção da ilha é alta: 6 a 8 mil toneladas anuais. Cultivadas em suportes de madeira à beira-mar, muitas das criações podem ser observadas com a baixa da maré. Para degustá-las, a melhor opção são os restaurants dos produtores. Chamados de “Cabanes à huitres”(cabanas de ostras), muitos deles tem uma vista privilegiada, idela para um fim de tarde regado à vinho branco ou até mesmo a cerveja produzida na ilha. Onde desgustar: Cabanajam (fotos abaixo),  Ré Ostréa, e Sophie et Jack Sury, todas localizadas na ciclovia entre Saint-Martin e La Couarde; e Les Authéntiques Retaises (Ferré-Casseron), na ciclovia entre La Flotte e Saint-Martin. A melhor coisa é telefonar antes; os horários são bem variados.

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Andar entre as salinas e provar o sal da ilha

De la Couarde à Les Portes, passando por Loix, Ars e Saint-Clément, se espalham mais de 400 hectares de salinas. Formadas por tanques de argila, a produção é feita de maneira artesanal: a água evapora e a colheita do sal é feita manualmente. Assim, se produz a flor-de-sal de Ile de Ré. São muitos produtores e o sal pode ser encontrado os supermercados e feiras da ilha. Mas se quer visitar uma loja especializada, vá a La Couarde e procure por Le Sel d’Isabelle (1 bis, Rue du Levant).

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Ver o movimento dos portos de Saint-Martin e La Flotte

É nos portos que está o agito das cidades de Saint-Martin e La Flotte, com seus bares, restaurantes, lojas e a típica e deliciosa sorveteria La Martinière, que produz artesanalmente seus sorveites desde 1970. Prove o de caramel au beurre salé… e tantos outros quanto aguentar! Em La Flotte, o mais gostoso é tomar um vinho apreciando o por-do-sol. Opções de lugares não faltam!

La Flotte

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Saint-Martin de Ré

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Subir no Farol e apreciar a liha do alto

Numa pontinha da ilha, o Farol (Phare des Baleines) oferece uma vista de tirar o fôlego. São 257 degraus e 57 metros de altura. No local, há também um museu.

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A praia que fica aos pés do farol também é linda! Com a maré baixa, é posivel caminhar para procurar conchas dentro das eclusas de pesca. De dentro do mar, é possível observar, lado a lado, o antigo farol, mais baixo, e o mais recente, no qual é possível subir.

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Visitar as ruínas da Abbaye de Châteliers

A partir de La Flotte, há uma ciclovia que beira o mar e te leva até as ruinas dessa igreja. Embora a construção da mesma remonte ao Séc. XII (1150, por monges cistercienses), ela foi destruída em diversas ocasiões (pelos ingleses durante o Séc. XIII e depois, durante a Guerra dos Cem Anos). Tento sofrido diversas alterações, o estilo predominante é o gótico. As ruínas atuais datam do Séc. XIV e são classificadas como monumento histórico desde 1990, tendo sido restauradas em 1997. Torça para que os campos em volta estejam floridos… é um deleite para os olhos!

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Se esbaldar nas praias

São diversas praias de areia fina, muitas delas imensas, rodeadas por florestas. Em Sainte-Marie, há o ponto predileto dos surfistas (Les Grenettes). Ela está entre as minhas preferidas, ao lado das praias de La Couarde e a do farol.

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Mais dicas úteis

Restaurantes

L’Endroit Du Goinfre – localizado em La Flotte, esse bistrô super simpático serve desde pescado do dia até hambúrguer. 1, rue Jean Henry-Lainé.

Le Chat Botte – este fica em Saint-Clément la Baleine, ao lado do hotel de mesmo nome. Tradicional e familiar, é um dos melhores restaurantes da ilha. Os preços variam, mas há menus de 24 a 80 euros. 2o, rue de la Mairie.

Le Grenier à Sel – em Ars, com propostas que variam dia-a-dia. Menus a 35 euros. 20, rue de la Baie.

La Martinière – na unidade da sorveteria em La FLotte, é possível comer pratos simples, mas deliciosos, como quinhes e tortas acompanhados de saladas.

Feiras

Em La Flotte, Rivedoux e Saint-Marie (fotos abaixo) tem feira todos os dias de manhã. É a ocasião ideal para ter contato com os produtos locais, como, por exemplo, as famosas batatas da ilha, além de ostras, peixes, frutos do mar, flor de sal e uma série de verduras e legumes. O clima em volta das feiras também é especial e os bares da região acolhem moradores e turistas para o aperitivo.

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Comprinhas

É comum encontrar antiquários e lojas de decoração pela ilha. Confira Antiquités des Châteliers (9 bis, rue Jean Henry Lainé – La Flotte) e Le Môle ( 2, cours Félix Faure – La Flotte). Em Ars, para roupas, bijoux e decoração, visite a Le Petit Endroit (4, Quai de la Prée) e L’heure Douce (11, route de Saint-Clément). Para roupas, a Baobab tem itens super coloridos. Originária de La Rochelle, tem loja também em Paris e já está aqui no blog! (8, rue du Géneral de Gaulle – La Flotte).

Onde se hospedar

Hospedagem para todos os gostos não faltam; há desde camping até casarões sofisticados. Para se der uma ideia da imensa oferta, a ilha de pouco menos de 20 mil habitantes, chega a aumentar em até dez vezes a população durante as férias de verão. Por isso, minha orientação é que comece a sua busca pelo site oficial da cidade (clique aqui). E lembre-se: num chalé ou casa, tem sempre a possiblidade de um churrasco ao final do dia e de aproveitar todos os ingredientes que a ilha oferece! Além da paz de ter um cantinho só seu numa ilha paradisíaca como esta. Me hospedei em Sainte-Marie, num chalé fofo e confortável, com um jardim que eu queria para mim!!! Veja mais no site para locação em temporada: Clos des Gallets.

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E o que mais?

Ao preparar a mala, pense em levar roupas adequadas para a chuva e confortáveis para andar de bike. Ao mesmo tempo em que é possível fazer muito calor, pode chover e ventar muito. Pense em ficar no mínimo 5 dias para entrar no clima do lugar.

Veja também outros destinos que podem te agradar

Ile d’Oleron: vá de bike!

Cap Ferret: bike, praia, sol, areia e ostras… muitas ostras.

3 comentários para “Ile de Ré: o paraíso francês no Atlântico”

  1. Bianca disse:

    Qual o período que se pode ir, Clau? Final de abril e início de maio já dá?

    • Clau Gazel disse:

      Sim! não é mega calor nunca lá. Na Páscoa ainda estava friozinho… Julho é perfeito, calor. Bjs

  2. Alana disse:

    Oi Clau, fiquei feliz de achar postar seu da Île de Ré. Estarei em LA Rochelle em julho e quero passear de bike na ilha. Vc sabe se tem alguma empresa/guia que faz passeio de bike em grupo?
    E o clima em julho, como é? Pelas pesquisas que fiz, a temperatura máxima é de 24°, é isso mesmo? Mas e a sensação térmica, como é?
    Obrigada!