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Costura, tricô e outras artes: endereços parisienses

8 de abril de 2016

Depois de brocantear (Eu brocanteio, e você?), minhas mãos andam coçando para costurar e fazer outras estripulias pela casa. E hoje foi dia de correria atrás de tecidos. Como na época em que eu frequentava um atelier delicioso pertinho do Canal Saint-Martin, onde fiz minha colcha de patchwork. A danada demorou 6 meses para ficar pronta, mas como ficou linda, do jeitinho que eu queria.Depois foi a hora da colcha de tricô que, com ajuda da mãe e da sogra, ficou o máximo (veja aqui).

Colcha de trico colorida_A Viagem Certa5

Pensar que comecei fazendo roupa para Barbie e que quando não conseguia fazer o arremate, colava com esmalte.  Bom, só uma lição tiro disso: o ser humano, quando gosta de algo que faz, pode evoluir. Após a fase roupinha com esmalte, veio a fase do pirógrafo – cheiro bom de madeira queimada me veio à mente – ferramenta com a qual eu decorava cabides, caixas e tudo o que fosse de madeira que passasse na minha frente. Depois, chegou a hora da cerâmica decorada com areia e pintada com betume e dos sabonetes pintados. Mas um dia a aula de artes aplicadas do colégio acabou e eu fiquei na mão.

Passados mais de 20 anos, a lacuna enorme  foi preenchida pelo Scrapbooking, ótimo passa tempo que eu e uma amiga, também advogada, escolhemos para nos divertir e, no meu  caso, afastar o bode da burocrática profissão. Chegando em Paris, descobri que tinha o mundo nas mãos: tempo livre, muita vontade de criar e uma oferta incrível de materiais e opções. Et voilà! Virei tricoteira e costureira.

Já publiquei no blog algumas dicas, mas como já faz algum tempo, segue a lista atualizada.

“CENTRO” DE PARIS

La Droguerie: é a minha preferida para lãs, pois é a que tem maior variedade. Tem lãs de todas as cores, tipos e preços. Também tem os tecidos Liberty. Os livros com receitas que misturam tecidos e lã ou linha são de babar. Vá com tempo e prefira os dias de semana; aos sábados é infernal! Foi lá que me surgiu a ideia de fazer a colcha em lã 100%.

Le Bon Marché: ótimo para lãs, agulhas, linhas e botões. Não tem muita variedade em tecidos, mas tem os da Liberty, que eu adoro e ficam lindos em patchwork.

BHV: depois de passar por uma reforma, a parte de armarinhos está mais organizada. O setor de artesanato, que fica em outro andar, tem de tudo para scrapbooking, pintura, colagem e o que mais puder imaginar. É incrível! (55, Rue de la Verrerie; seg, ter, qui e sex – 9h30/19h30; qua – 9h30/21h; sáb – 9h30/20h)

L’entrée des fournisseurs: em pleno Marais, uma simpática vila esconde essa loja. Lãs, botões, tecidos Liberty…  tem de tudo um pouco. O site é bem completo se quiser fazer uma pesquisa antes (8, Rue des Francs Bourgeois; seg/sáb 10h30/19h).

Entree fornisseurs_Paris_abr 2016 _ A Viagem Certa_Claudia Gazel_Dicas de Paris - 1

MONTMARTRE

Marché Saint-Pierre/La Mercerie: além de lãs, fitas, botões e tudo mais o que uma boa loja de armarinhos tem direito, lá você encontra kits de tecidos especiais para patchwork. E bem em frente à loja de armarinhos, tem a Saint-Pierre Tecidos, com 7 andares para vasculhar. Tem de tudo, desde tecidos a 1 euro o metro até as melhores marcas para estofados, que são vendidos sob encomenda. 20, Rue Pierre Picard, metrô Anvers (linha 2); seg/sex. 10h/18h30; sáb. 10h/19h.

Tissus Reine:  assim como a St Pierre, tem de tudo. Mas o destaque vai para os tecidos Liberty, que eu tanto amo. E são ótimos para patchwork também, pois há várias estampas diferentes que ficam muito bem juntas.3-5, Place St Pierre, metrô Anvers (linha 2); seg. 14h/18h30; ter/sex. 9h30/18h30; sáb. 9h45/19h.

Frou Frou Mercerie: talvez a mais completa de todas em armarinhos. 2, 4, 6 rue Livingston metrô Anvers (linha 2); seg/sáb. 9h30/19h. Tem outro endereço na Place Saint-Sulpice.

Chatmaille: também em Montmartre. Especializada em lãs, tem marcas diferentes (p. ex. a espanhola Katia) e preço bom também. Oferece aulas de tricô. 2, Rue Cazotte; ter/sáb. 11h/18h30.

3 comentários para “Costura, tricô e outras artes: endereços parisienses”

  1. REGINA FERREIRA disse:

    Gostaria de saber endereços de loja de tecidos Liberty. Grata regina

  2. Tayassu disse:

    Pensar que tenho/tive/tivemos tataravós, bisavós, avós ou mães costureiras e, eu, menina de uns poucos anos costurava por debaixo de uma grande mesa, onde ela, por dentro de um galpão abandonado, ali, a sala improvisada para o curso de costura para mulheres, pois naquele tempo tudo era separadinho e as coisas dos gêneros nem se fala!

    Enquanto a minha…M… ensinava costurando com esquadro, fita métrica e toda o material convencional da época. Eu,menina curiosa, aprendia mais com a matemática via a costura, do que com a outra, pela via da escola.

    Mãe costureira eu vi e o quanto ela (bem) vestia e desvestia: noivas, vizinhas, senhoras, meninas, garotos, homens de meia-idade e moças às vésperas de bailes e dos encontros arranjados pelo destino ou não.

    Ao escrever tudo isso pareço ter 100 anos ou mais. De fato sou do século passado e nos anos 60, 70 e 80 do século que morreu, século XX, cá estou eu ressuscitando-o e, dele, essas minhas memórias: velha e criança.

    Vi, naquele tempo-espaço, muito figurino francês e, em particular, revistas parisienses como modelitos, manequins, tecidos, indumentárias e, sem dúvidas, toda uma propaganda cosmética que atravessava o mar e enfeitiçava a cabeça classe média das mulheres brasileiras ou, pelo menos, parte delas.

    Esses figurinos – magasines – atravessaram as mãos das mulheres que vinham encomendar sonhos feitos em tecidos, costuras, bordados, tricô, ponto de cruz, fuxico e bilro. Minha mãe conhecia essa coisa toda.

    Eram mãos feitas aos feitios, os quais em minha mãe, por algum dom e contra-dom ela não só tinha, como compartilhava ao abrir: tecido engomado, tecido de terno, tecido para rouba de banho, casa, festa, passeio e quotidiano.

    Assim, a nossa casa mais que modesta não era pobre, mas rica, rica e rica de cores, cheiros, motivos, feitios, botões, linhas, aviamentos, formas, texturas e tudo o que nos armarinhos das ruas Caetés, Timbiras, Aimorés, Carijós, Tupis e Guarani tinha de melhor e se vendia naquela tempo.

    Sim! Costura pelas ruas amerÍNDIAS daquele Brasil infância, “acordecido” pelas cores que as palavras têm, quando também escrevi um artigo com esse título (as Cores que as Palavras Têm) e, agora, a minha reapropriação para alcançar e comentar acerca desses tecidos-da-Cláudia e, através dela, folha in-visível desse Blog, que é como Cláudia: uma viagem certa.

    Acho muito criativo entre tecidos & costuras de uma infância adormecida os seus elos e, outros elos, abertos neste Blog e, assim, essas palavras acordecidas da minha lembrançã pelos talentos dessa fazeidora das coisas tantas, que é a Claudia; a Cláudia, também, desse blog.

    Continua Claudia nessa tua viagem certa, acertando entre memórias d’ontem pelas memórias d’hoje, o que entre Paris e o Mundo, França e Brasil, Paris e cidades de lá elas têm ou não em comum… e assim os seus escritos sempre tão interessantes.

    Que as cores dos teus tecidos, as formas das flores e os motivos dos panos escolhidos e a escolher, tragam paz e prosperidade para as tuas/nossas VIAGENS CerTas…abrindo viagens novas aos leitores/leitoras/blogueiros….

    “(” Catitu que não sabe costurar senão por linhas tortas…
    Py’agua’py

  3. Yara Machado disse:

    Adorei as dicas e ja visitei todas.
    Gostaria de saber onde fica o atelier perto fo canal de Saint Martin?

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