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Brûlerie Maubert: a cafeteria que parou no tempo…nos bons tempos

27 de junho de 2016

Não é de hoje que Madame Blanc passa suas manhãs e tardes sentindo o aroma dos melhores grão de café. Eu nem era nascida e ela já atravessava Paris  para chegar até a Brûlerie Maubert. Até hoje ela faz o mesmo trajeto do 17e arrondissment, onde vive, até o 5e, onde mantém a Brulerie Maubert.

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O negócio nasceu por acaso, quando em 1977  ela e seu companheiro resolveram abrir a torrefação de café em pleno Quartier Latin. A paixão pelo trabalho não foi imediata. Ela nasceu depois, ao longo dos dias no contato com a vizinhança e a clientela fiel que, como eu, é atraída pelo odor do grão torrado. Ali, todos tem sorriso no rosto e falam a mesma língua: a do sabor, da qualidade.

“É… os tempos mudaram”, observa Marie-Thérèse. “O bairro mudou, o mundo mudou. Ninguém mais se olha nos olhos, as pessoas mal se falam. As pessoas perderam o gosto pelo que é bom. Comem esses hambúrgueres que tem por aí”.

Tive que interrompê-la. Ali, me sinto bem e vejo que quem entra, também. Até a criança curiosa que puxa a mãe pela barra da saia e para na vitrine  espiar a geringonça que torra o café. Coincidência ou não, é às quartas-feiras, o dia que a criançada não tem aula, que o café é torrado. “Eles sempre ficam curiosos. Adoram parar e olhar!”.

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Insisto na questão dos valores e gostos de outrora, já que ali dentro da pequena torrefadora, sinto que o tempo parou – merci Marie-Thérèse.  Indago qual o seu segredo. Tímida, ela sorri. “Sorriso no rosto, paixão pelo trabalho e qualidade dos produtos. Quem continua a vir aqui, é porque sabe a diferença entre um café de verdade, de qualidade, e uma cápsula da moda vendida em supermercados.”

Quase provocativa, perguntei se seus grãos eram comprados por internet. Aí o sorriso virou gargalhada, uma tímida gargalhada. “Vou ao Havre. Desde o começo até hoje vou ao Havre buscar o café. Esse negócio de internet, de tudo à distância, nada disso me agrada”.

E o que te agrada, Marie-Thérèse? – pergunto.  “Meus clientes fiéis que, como eu, conhecem o prazer de beber um bom café. E voltam a cada dia com uma nova opinião, uma nova história, um novo pedido. Tenho clientes que foram embora da cidade, se aposentaram e, quando podem, vem comprar o meu café.”

Marie-Thérèse é um dos meus fornecedores em Paris dos quais não abro mão. E em casa o café só leva elogios.

Para degustar os cafés de Marie-Therese:

Brûlerie Maubert: 3, rue Monge – 75005; ter/sáb. 10h/13h30 e 14h30/19h.

Leia também: Meus endereços no 5e arrondissement; Un café s’il vous plait.

 

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