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Brasil e França: 42 exemplos para entender o imenso abismo cultural que os separa

21 de julho de 2016

Daqui a pouco faz 6 anos que cheguei em Paris com minhas duas malas de 32 Kg (para morar, não para viajar). E desde então, a grande questão dos amigos e conhecidos que nos visitam é: Porque? Porque a França? O que é tão diferente? Por que sua vida é melhor – ou não – do que a que tinha em São Paulo?

Essas são questões difíceis de responder em apenas uma frase ou apenas um exemplo. Afinal, tudo tem seu lado positivo e seu lado negativo. Alguns motivos pelos quais gosto daqui são pequenas coisas do dia-a-dia, às vezes difíceis de explicar numa conversa rápida ou numa resposta de bate-pronto. A questão está no âmbito cultural, que se desdobra em diversos aspectos que tentei abordar abaixo. A grande maioria dele denota o imenso abismo entre a cultura brasileira (norte-americana) e a francesa. Melhor ou pior? Depende para quem. Este texto não tem o objetivo de convencer ninguém de nada. São minhas impressões pessoais.

1. Empregada é coisa de milionário e trabalha por hora.

2. Quem tira o lixo é quem consumiu o que foi para o lixo. Ou seja, o dono da casa.

3. Papel higiênico se joga no vaso sanitário. Sempre.

4. Programa de adulto e programa de criança são bem separados.

5. No restaurante, criança se senta à mesa e come, diríamos, como um adulto. Ipad no restaurante, nem pensar!

6. Celular na mesa durante o jantar não é um hábito… pelo menos ainda não.

8. Os franceses são orgulhosos de poder beber água potável direto da pia. Ninguém vai ficar doente se não comprar água no supermercado.

9. Muitas vezes a água mineral vem das montanhas de neve.

10. Andar de metrô não é sacrifício; é motivo de orgulho e não de vergonha. Aliás, não ter carro não é sinal de pobreza, mas de uma cidade que funciona e atende as necessidades dos cidadãos.

11. Francesa não tem obrigação de andar depilada, com a mão feita, com as luzes retocadas. Faz quando quer e não como obrigação social.

12. Museu é programa de criança sim… mesmo antes de aprender a andar!

13. Livro – em papel! –  ainda é uma coisa muito importante por aqui.

14. É normal perguntar o preço de algo, seja de uma agulha ou de um copo de vinho no restaurante. Não é motivo de vergonha alguma.

15. Chegar no horário num compromisso é mais comum do que chegar atrasado.

16. Marcar um compromisso com antecedência não significa ter que confirmá-lo um dia antes. Marcado é marcado, seja com 1 mês ou 1 semana de antecedência.

17. No geral, as pessoas se preocupam com o que comem e há um imenso movimento contra a indústria alimentícia que produz queijo que não é queijo, manteiga que não é manteiga e iogurte que é água.

18. Economizar em conta de gás, de luz e água não é coisa do passado.

19. Consumir produtos de segunda mão é tão comum quanto comer pão no café da manhã. Móveis, roupas, eletrodomésticos…

20. Idoso é alguém velhinho, que se senta no banco preferencial do ônibus porque realmente necessita.

21. Fila é algo difícil de se respeitar. Não veio no manual de instrução do francês.

22. A competição entre as pessoas existe em termos intelectuais e não materiais. Pouco importa o carro que você tem, mas sim onde estudou e quais livros leu, quais filmes viu e assim por diante.

23. Dividir a conta conforme o que cada um consumiu é absolutamente normal. Não que não se possa fazer o contrário, mas isso não ofende ninguém.

24. Brinquedoteca no restaurante?!? C’est quoi ça?

25. Cerveja de garrafa é quente para os padrões brasileiros. Peça chopp.

26. Na padaria tem pão. Na charcuterie tem frios. Na fromagerie tem queijo. Na boucherie tem carne.

27. Quanto menor o cardápio de um restaurante, melhor ele é. E vice-versa.

28. Em Paris, você é onde você mora. Entendeu?

29. Aqui todo mundo discute sobre tudo… e dá opinião até sobre um livro que não leu e um filme que não viu.

30. As bibliotecas nas casas das pessoas são enormes, mas isso não significa nem de longe que metade dos livros foram lidos.

31. Discutir política sem brigar é a regra. E respeitar a opinião  e o partido do outro também.

32. Paris é Paris. O resto, é a França.

33. Porteiro em prédio simplesmente não existe.

34. Para receber uma encomenda em casa, você precisa falar com a zeladora, agendar hora, pedir para te ligarem…. Há empresas que só entregam mediante a assinatura do destinatário. Enfim, é um trampo. Importante saber na hora de pedir encomendas aos amigos que moram por aqui. Não é má vontade: é trampo mesmo!

35. Não há grades ou telas de proteção nas janelas. Nunca li qualquer notícia de crianças que caíram.

36. Saúde pública é para todos.

37. Férias é a religião do francês.

38. Na hora de viajar, seja de trem ou de avião, cada um da família empurra sua mala. Sem essa de atolar o pai de coisas e a criançada ficar com a mão abanando.

39. Sexualidade não é tabu; simplesmente faz parte da vida.

40. Condomínio? Hein?!? Pode repetir?

41. Perguntar aos outros quanto ganha é normal. Na lata mesmo. E o preço do seu aluguel, também.

42. Babá de uniforme branco? Nunca vi.

 

 

 

 

2 comentários para “Brasil e França: 42 exemplos para entender o imenso abismo cultural que os separa”

  1. Querida Cláudia,
    Adorei este artigo! Isso mesmo. Quem mora aqui, adora tudo isso!
    Beijos

    • Clau Gazel disse:

      Sim, né? J’adore : ) Tem gente que se ofende, mas nem de longe o intuito é esse. São minhas percepções pessoais.. Bisous, ma belle!

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