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Trip Advisor : viagem na maionese

5 de janeiro de 2017

O site existe Trip Advisor foi criado no ano 2000, mas posso garantir que desde então eu o consultei poucas vezes e elas foram suficientes para minha constatação de que ele não é para mim. E talvez nem para você. O assunto foi e é motivo de várias discussões entre amigos. Mas depois de anos repitindo minha indignação com o sistema, uma reportagem na televisão francesa (France 2 – set 2015) só veio me dar razão. Em suma ela afirma que sistema é capenga e sujeito a inúmeras fraudes. Explico:

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1. Não se tem o controle de quem escreve um comentário: qualquer um pode escrever, ainda que jamais tenha pisado no restaurante. Ou seja, amigos ou inimigos dos proprietários podem deixar sua marca por ali. Uma falsa avaliação que por si só já desmonta todo o sistema. E pasmem – ou não: já escutei histórias fidedignas de quem pede aos amigos para dar uma esquentada no Trip Advisor.

2. Outra coisa que me incomoda infinitamente é que o negócio funciona como um classificador mundial. Ou seja, todo mundo escreve sobre tudo. Assim, como saber se as pessoas que visitaram o restaurante “x”tem o mesmo gosto que você ? Ou você prefere se basear na média mundial? Eu, sinceramente, não. Prefiro escolher minhas fontes. Um bom guia, um bom blog ou um amigo próximo que tem gosto parecido pode garantir uma boa viagem. Exemplo: para conhecer Lyon, li blogs daqui e comprei um guia de uma jornalista da cidade. Lógico que antes de ir a um ou outro restaurante, é preciso se dedicar à ler e identificar aquilo que tem a ver com você.

3. Depois, encontro classificações que não tem absolutamente nada a ver comigo. Estou online neste momento e consulto as melhores casas de chá de Paris. E em segundo lugar, logo após a sorveteria Bertillon, aparece o Angelina. Um lugar que tive duas vezes na vida e que não pretendo voltar nunca mais. É a típica instituição turística qur mantém o nome mas cuja qualidade é questionável. Fila na porta para ser mal tratado por garçons que vêem em você apenas mais um número, ou melhor, um sifrão. O chocolate quente tão famoso virou produto de garrafa vendido em supermercado. Enfim, apenas um exemplo. Lógico, é preciso ter alguma base para chegar a esta conclusão, como é o meu caso. Mas esse tipo de opinião “unânime” leva o turista a lugares nem sempre agradáveis. Repito: pesquise e leia outras fontes.

4. As fotos são de usuários bem intencionados, isso é fato. Mas muitas – senão a maioria – são péssimas! Isso me incomoda muito e me faria desistir de vários lugares. E você?

5. Ainda online, clico agora em melhores restaurantes de Paris. Em oitavo lugar, logo após alguns estrelados, aparece Paris Picnic, certamente uma empresa que organiza picnics para turistas. Pode ser muito boa, mas merece ser classificada como restaurante? Sim, eu li direito e esta aí a prova. A foto da tela do meu computador que aparece na chamada deste artigo. Preciso comentar mais?

6. Você pode pensar em seguir o tal Certificado de Excelência, assim definido pelo próprio site“Certificado de Excelência do Trip Advisor premia acomodações, atrações e restaurantes selecionados que demonstram constantemente um compromisso com a excelência no setor de turismo e hotelaria. O TripAdvisor usa um algoritmo próprio para determinar os ganhadores do Certificado de Excelência. São levadas em conta a qualidade, a quantidade e a recenticidade das avaliações e opiniões publicadas pelos viajantes no TripAdvisor em um período de doze meses. Também são consideradas a estabilidade dos negócios e a posição no ranking do Índice de popularidade do site. Para poder receber o Certificado de Excelência, o estabelecimento deve manter uma pontuação geral mínima de quatro círculos (no total de cinco). Além disso, precisa ter um número mínimo de avaliações e estar cadastrado no TripAdvisor por no mínimo 12 meses.”  Sacou? Então me explica, porque eu encontrei restaurantes com pouco mais de 200 avaliações com o tal certificado. É suficiente? Me parece que sim.

7. Encontrei também no site a seguinte informação: os estabelecimentos que permitem reservas pelo site pagam comissão ao Trip Advisor. Nada mais justo. Porém, onde fica a independência do site? E mais: Expedia, Hotels.com e Trip Advisor são empresas do mesmo grupo. Ou seja, a raposa é colocada para tomar conta do galinheiro e as galinhas são os consumidores, lógico. Preciso desenhar?

8. Para entender mais sobre a reportagem na France 2: a equipe do programa criou um falso restaurante, emitiu 59 falsos comentários e chegou a figurar em os 10 melhores restaurantes do bairro de Montmartre.

9. O Parlamento Europeu também levantou a questão. Segundo o deputado que aparece na reportagem indicada a seguir, o site trabalha com comentários falsos, falsa indicação de que hotéis estão completos e até falsas promoções, tudo para privilegiar agências/hotéis parceiros.  Esta aqui o vídeo em francês. A reportagem é de 2011. Pelo que pude constatar no site do Parlamento, em 2014 houve uma proposta para regular a questão (proposta feita pela deputada italiana Mara Bizzotto), evitando assim que os consumidores sejam lesados. Fora isso, não encontrei mais nada. Será que acabou em pizza?

Bon voyage!

3 comentários para “Trip Advisor : viagem na maionese”

  1. Marcos disse:

    Olá, concordo com você. Deixei de usar o TripAdvisor, pois em algumas viagens só entrei em fria.
    Acompanho seus comentários desde 2014, parabéns pelo blog.

    • Clau Gazel disse:

      Marcos, que bom saber que não estou sozinha nesta viagem ! Obrigada pelo comentário e pela fidelidade!

  2. Gustavo Woltmann disse:

    Eu uso o Tripadvisor, mas sempre com um pé atrás, sei que qualquer um pode fazer as avaliações. Muitas vezes acho boas dicas por lá, pelo menos em lugares do Brasil.

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